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O jornalismo de proximidade como lema

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Em 1989, um projecto de hipertexto conhecido por html, ou seja, uma linguagem de código de marcação simples, usada para apresentar conteúdos numa página internet, permitiu às pessoas trabalhar em conjunto numa rede de documentos: foi o nascimento da Internet como rede global de informação. Nesse mesmo ano em Abril a “Folha” colocou nas bancas a sua primeira edição testemunhando até hoje, quase quatro décadas depois, a evolução do concelho. Desde a década de 90 que se tem assistido à maior evolução tecnológica de sempre, principalmente nas comunicações, e a imprensa teve de se adaptar. O nosso jornal esteve sempre consciente dos tempos desafiantes que viveu desde a sua criação. Aliás, já em meados dos anos noventa, durante uma edição da Feira ad Luz, em Setembro, fomos os primeiros a mostrar no nosso stand como se faziam as ligações à internet. Nesse tempo, e graças à “Folha” muitos viram pela primeira vez páginas em rede como a meteorologia do Instituto Português do Mar e Atmosfera, imagens satélites do planeta em tempo real e acesso a dados universitários e sobre saúde. Claro que hoje já nada disto é novidade. Contudo, nunca prescindimos dos nossos objectivos: informar as pessoas da cidade e do concelho e aqueles que vivem fora e continuam a ver a nossa região como o centro das atenções. O leitor é o nosso centro das atenções. Os factos e os argumentos são o nosso trunfo informativo.

Estamos também na internet com a nossa página na rede social Facebook mas a nossa grande aposta continua a ser na edição impressa porque assim conseguimos chegar a todos os que o querem ler: é fundamental um jornal local cativar todas as faixas etárias.

 

Uma missão sempre cumprida

 

Ao longo destes anos todos o espírito que motivou a fundação da cooperativa à qual pertence a “Folha de Montemor”, a Publimor, continua presente: informar com rigor e seriedade a cidade e o concelho. Somente com duas mudanças de direcção e de chefe de redação em trinta e sete anos, o projecto foi mantendo uma estabilidade que lhe permitiu enfrentar o desafio das mudanças tecnológicas constantes e do paradigma do jornalismo.

Longe vão os tempos em que director e chefe de redacção se deslocavam à Gráfica Eborense em Évora para rever manualmente cada página do jornal e fechar a edição. Mensalmente, existiu também durante anos um “ritual” na sede da redacção: vários elementos do jornal juntavam-se para preparar e ensacar os mais de mil e quinhentos exemplares para posterior envio pelos correios da cidade. A automatização alterou tudo isso.

Por seu lado, a imprensa local continua a ser o elo de ligação àquilo que se passa mais perto das pessoas, e onde o leitor tem de ser interpelado como cidadão mais do que como consumidor: é sem dúvida neste ponto que se joga o trunfo da comunicação social local. Numa época de profusão de comentadores nos jornais televisivos e de influenciadores nas redes sociais é cada vez mais difícil distinguir entre o importante e o acessório.

“A imprensa regional desempenha um papel altamente relevante, não só no âmbito territorial mas também na informação e contributo para a manutenção de laços de autêntica familiaridade entre as gentes locais e as comunidades de emigrantes”, refere o Estatuto da Imprensa Regional (Decreto-Lei nº 106/88 de 31 Março) num excerto do seu preâmbulo, realçando a importância deste sector, apesar das debilidades provocadas pelas fracas tiragens (muitos jornais locais não ultrapassam os 1500 a 2000 exemplares mensais), a má distribuição e a escassa publicidade.

Actualmente com 443 números publicados ininterruptamente, a “Folha”, com cerca de 12000 exemplares publicados por ano, e uma divulgação na comunidade emigrante, viu a sua maturidade premiada com o Prémio Gazeta 2012, atribuído pelo Clube de Jornalistas, reforçando assim ainda mais uma credibilidade já alcançada a nível distrital.

Partilhando, na cidade, o sector da imprensa com outro mensal de inspiração cristã, “O Montemorense”, a “Folha” tem-se pautado pelo entusiasmo e pela salutar concorrência jornalística. No país e sobretudo no Alentejo muitos concelhos pertencem ao chamado “deserto de notícias” por não disporem de nenhum meio local na sua região.

No Relatório de Portugal sobre deserto de notícias de 2025, publicado pela Universidade da Beira Interior (LabCom), confirma-se que o país tem hoje mais jornais digitais do que impressos, mas mantém profundas desigualdades regionais no acesso à informação, sobretudo no interior.

As novas tecnologias atrofiam os meios tradicionais, entre a crise da imprensa e a desertificação do interior. Entre as redes sociais e agora a inteligência artificial que está a redefinir os padrões do saber e da informação, é urgente perceber a importância da imprensa regional e das rádios locais. Um país deserto de notícias será sempre um país menos desenvolvido. Entretanto a “Folha” vai continuando o seu caminho.

 

 

Carlos André

Nota: o autor deste texto não obedece ao novo Acordo Ortográfico (AO 1990).

 

 
 
 

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