“Iremos trabalhar para ganhar a Liga e a Taça”

Nuno Malagueira é, desde 2023, o Presidente da direção do Grupo União Sport. Atualmente, em fase inicial da temporada 2026/27, começa igualmente a segunda época desportiva do seu segundo biénio. Desde a sua tomada de posse, esta direção tem priorizado a renovação do Estádio 1.º de Maio e orgulha-se do trabalho desenvolvido no futebol de formação e feminino. Neste mês de outubro de 2026, a Folha de Montemor convidou Nuno Malagueira para uma entrevista exclusiva realizada na casa do União, o 1.º de Maio.
Folha de Montemor: Em jeito de introdução, qual é o balanço do trabalho feito por esta direção do Grupo União Sport após três anos à frente do clube?
Nuno Malagueira: O balanço só pode ser positivo. Fazendo uma retrospetiva, quando a atual direção tomou posse, o União tinha um estádio com um relvado bastante degradado, que já não era próprio para qualquer tipo de treino. O grande passo dado por esta direção foi a transformação do Estádio 1.º de Maio naquilo que podemos ver hoje: um estádio com um relvado principal, um campo de futebol de 7, outro de futebol de 5, os três sintéticos. Além da reformulação da bancada de apoio ao campo de futebol de 7. Tratou-se de uma grande obra desta direção, que serviu para impulsionar todo o crescimento que o Grupo União Sport tem registado a nível de formação, de número de atletas e em outros aspetos. Mas o trabalho ainda está por concluir…
“O espaço que temos já não é suficiente para todas as equipas.”
FM: Com a renovação, o GUS tem agora todos os seus escalões de futebol a jogar e a treinar no Estádio 1.º de Maio. Quão gratificante é que assim seja?
NM: Este era um dos objetivos da nossa direção. Queríamos trazer toda a formação para dentro do estádio, trazer toda a “família unionista” para a sua casa. E conseguimo-lo, o que é fantástico. No entanto, a situação causa-nos algumas dores de cabeça de momento, porque o espaço que temos já não é suficiente para ter aqui todas as equipas. Temos de nos socorrer do Campo 25 de Abril, em Fazendas do Cortiço, mas temo-nos deparado com alguma intolerância da parte do Grupo Cultural e Desportivo de Fazendas do Cortiço. O clube não nos tem concedido o campo, que é propriedade da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, na totalidade dos dias que necessitamos. À terça-feira, por exemplo, temos equipas com cerca de 30 atletas a treinar aqui num quarto de campo, o que não é de todo desejável para um clube que quer continuar a crescer a nível formativo. Por isso, aproveito este meio também para apelar à CMMN que possa intervir na rápida resolução desta situação que prejudica o GUS.
FM: Sente que com a remodelação do 1.º de Maio tem havido mais espetadores nos jogos dos vários escalões?
NM: Não tenho quaisquer dúvidas. Quer ao sábado de manhã, quer à tarde, bem como ao domingo, o estádio está sempre com muita gente, quase cheio. Nos jogos da 1.ª jornada dos campeonatos de seniores, tanto masculino, como feminino, o estádio encheu, principalmente no jogo feminino. Notamos que há muita gente atualmente a acompanhar o União e os seus vários escalões, e isso é algo que nos sabe muito bem.
FM: Olhando para a equipa sénior ‘A’, em 2025/26 o União acabou em 2.º na Liga Elite. O Presidente costuma dizer que “o União é um candidato ao título por natureza”. É assim em 2026/27?
NM: Sim. Não há como esconder que temos a ambição de ser campeões e, como tal, somos candidatos. Porém, sendo totalmente realista, penso que o União precisava de mais uma ou duas épocas nos campeonatos distritais, a fim de consolidar a sua estrutura, quer ao nível dos recursos humanos, quer ao nível financeiro. Mas o GUS não pode esconder o seu passado e, por isso, temos de entrar em todos os jogos com a vontade de ganhar. As camisolas e os símbolos já não ganham jogos, mas compete-nos honrar a camisola e o símbolo e, como tal, iremos trabalhar para chegar aos nossos objetivos: ganhar a Liga Elite e a Taça Dinis Vital.

“O plantel desta época foi construído para ganhar.”
FM: Os seniores entram na nova época com um plantel com muitas mudanças, sendo que a equipa técnica também as teve. A que se deve a aposta na remodelação?
NM: Começando pela equipa técnica, há que esclarecer que as saídas do Pedro Pereira (treinador-adjunto) e do David Azinhaga (preparador físico) foram devido a situações pessoais… e ambos voltaram a estar connosco. O Pedro no futebol feminino e o David em escala mais reduzida, uma vez por semana. Falando dos jogadores: o plantel desta época foi construído para ganhar. O paradigma do jogador-tipo que representa o União tem-se alterado e isso obrigou-nos a tomar algumas decisões, umas difíceis, outras nem tanto. Quisemos construir um plantel com um misto de experiência e juventude, o que também motivou o ressurgimento da equipa ‘B’, que consideramos importante para muitos dos atletas mais jovens que trabalham já com a equipa ‘A’. Foi com esse objetivo em mente que se registaram algumas mudanças na preparação da época 2026/27.
“O União não podia fugir do crescimento do futebol feminino.”
FM: Uma das grandes novidades da história recente do GUS é a criação de equipas femininas. Na formação, as Sub-13 já conquistaram a Taça Distrital (2025/26) e em 2026/27 temos pela primeira vez uma equipa sénior feminina. Qual a ambição de todo o projeto feminino?
NM: O futebol feminino tem crescido bastante, tanto em Portugal, como na Europa, e o Grupo União Sport, como o grande clube que é no Alentejo, não podia fugir do crescimento do futebol feminino. Quando a nossa direção chegou ao GUS, a aposta no futebol feminino, tal como no futebol masculino de formação, era curta, a nosso ver. Havia coisas para melhorar, tínhamos apenas 34 raparigas na formação. Hoje, entre a equipa sénior e os escalões de formação, temos cerca de 60 atletas. A ambição que temos é a de acompanhar o crescimento do futebol feminino e cimentar o União como uma referência regional a esse nível.
FM: A equipa sénior teve recentemente uma enorme perda, a morte da Madalena Galego, jogadora do plantel, que certamente jogará também por ela. Qual o objetivo desta equipa na sua primeira época?
NM: O falecimento da Madalena foi, de longe, o momento mais difícil que enfrentámos enquanto direção. É algo inexplicável, trata-se de uma atleta de 19 anos com muito para dar e um ser humano que tinha toda uma vida pela frente. O grupo já era unido, mas agora são certamente ainda mais e com certeza ambicionam honrar o nome da Madalena em campo. A equipa é composta por um núcleo jovem, com jogadoras de várias origens, desde o Corval, a Vila Viçosa ou a Coruche. O objetivo, esse é o de solidificar o projeto com vista aos próximos anos, e pretendemos que cada uma das jogadoras do plantel cresça juntamente com o projeto.
“O União, nos últimos dois anos, voltou a ser competitivo no futebol de formação.”
FM: No futebol de formação masculino, o União também voltou recentemente aos títulos. Que significado tem este regresso aos títulos na formação?
NM: É algo com muito significado. Sei que o meu ponto de vista pode ser polémico: eu acho que formar é importante, sem dúvida alguma, mas formar a ganhar tem sempre outro sabor. A cara e o prestígio de quem ganha são diferentes dos de quem perde. Podemos afirmar que o União, nos últimos dois anos, voltou a ser uma equipa muito competitiva no que toca ao futebol de formação. Ganhámos o Campeonato de Infantis de 7 em 2024/25, em 2025/26, em Iniciados, ganhámos o Campeonato e a Taça José Pratas. Para o futuro próximo, o nosso objetivo é continuar a ser competitivos, mas nunca descurando também que o processo de formação tanto deve formar jogadores, como seres humanos.
FM: Num concelho como Montemor-o-Novo, que dispõe de uma elevada oferta desportiva, como se consegue trazer mais crianças e jovens para o GUS?
NM: O nosso principal “cartão de visita” para trazer mais atletas para o União era a obra no estádio. Sabíamos que quando tivéssemos melhores condições de treino e de formação, mais facilmente iríamos convencer pais e atrair jovens para o clube. Neste momento, podemos dizer que não temos só miúdos do concelho de Montemor-o-Novo. Há jovens atletas de Évora, por exemplo, nos quadros do GUS, graças ao trabalho de prospeção que temos desenvolvido. Há alguns anos essa situação era impensável e o natural era acontecer o contrário: ver apenas jogadores montemorenses com potencial a juntar-se aos clubes de Évora. Podemos ainda apontar a melhoria dos quadros técnicos do União como um aspeto que ajuda a angariar atletas: neste momento temos, inclusivamente, treinadores a trabalhar a tempo inteiro connosco, e isso também faz com que a qualidade de treino cresça, e com que o União se torne num meio de formação mais atrativo.

“De momento, temos mais de 350 atletas.”
FM: Atualmente, ao início da época 2026/27, quantos atletas tem o GUS?
NM: De momento, temos cerca de 350 atletas, apenas no futebol “tradicional” masculino e feminino. Desses, cerca de 300 são atletas de formação. A este número, podemos somar ainda o futebol adaptado e o andebol, que vai agora iniciar a sua época. Portanto, temos mais de 350 atletas.
FM: O andebol também é uma aposta recente. Como classifica a integração desta modalidade para o enriquecimento e valorização do clube?
NM: É importante, sem dúvida nenhuma. Acrescenta variedade ao clube e oferece mais uma alternativa aos jovens de Montemor-o-Novo para praticar desporto. Posso confessar também que, além do andebol, já tivemos a “oferta” de mais duas modalidades, às quais não podemos ainda dar resposta, devido à falta de recursos humanos para iniciar outros projetos. Conseguimos fazê-lo no andebol e muito devemos ao Ícaro Fróis pela iniciação e manutenção do projeto.
FM: Neste momento o GUS tem mais escalões, ainda assim, mais recursos humanos, mais treinos, etc. De que forma é possível gerir este aumento na atividade desportiva do clube?
NM: A chave é o trabalho e a dedicação que podem passar despercebidos. Felizmente temos muita gente a ajudar, a começar pela direção, claro, mas os treinadores e as famílias dos atletas também fazem parte da lista. Os pais e encarregados de educação ajudam muito a tornar a vida diária e atividade do clube sustentável. Assim é, creio, quer no União, quer na grande maioria dos clubes que não sejam profissionais.
“O GUS é sustentável, sim, mas vive a contar os cêntimos.”
FM: Como se classifica a atual situação financeira do União? O clube é sustentável?
NM: Sustentável é. Mas, claro, a situação não é fácil. O GUS é sustentável, sim, mas vive a contar os cêntimos, lá está, como muitos clubes da mesma dimensão. Por exemplo, se queremos ter mais atletas, temos de ter mais treinadores. E se temos mais treinadores, temos de pagar mais. No que toca aos jogadores, se queremos aumentar a qualidade competitiva, temos de chegar mais além nos custos e é natural que eles cresçam. No entanto, há que gastar apenas mediante as possibilidades do clube.
Temos também de dar uma palavra de agradecimento ao município e aos nossos patrocinadores, que são em maior número do que eram, e só com esse apoio o União pode continuar a crescer.
FM: Até ao final do atual mandato e, hipoteticamente, mais além, a que objetivos se propõe esta direção do Grupo União Sport?
NM: O principal a ser feito é a remodelação das infraestruturas do clube. Grande parte da obra no Estádio 1.º de Maio está feita, claro, mas falta o resto. Os balneários precisam de uma intervenção forte, tal como os camarotes da bancada e a própria sede. A fachada do estádio, por sua vez, carece de pintura. O problema é que tudo isso tem altos custos que fazem com que nem tudo isto seja exequível antes do final do mandato. Por isso, sejamos nós, ou seja outra a direção após as próximas eleições, penso que os principais objetivos devem passar por aí, pela contínua manutenção e remodelação das infraestruturas do União. O clube merece isso.
Mauro Salgueiro Delca
Fotos: Paulo Caldeira




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