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À descoberta de Allan Poe em Cabrela

  • António M. Santos Nabo
  • 20 de jan.
  • 3 min de leitura

A atriz Carla Maciel esteve ao longo das últimas semanas a desenvolver uma residência literária em Cabrela, na Casa das Letras, para preparar uma nova peça de teatro que irá estrear no final deste ano de 2026 e que tem como tema de fundo quem matou Edgar Allan Poe.

Para terminar este tempo de residência na vila alentejana, a atriz e o grupo que a acompanhou fizeram, no passado dia 10 de janeiro, para um público restrito, uma leitura de contos do escritor americano que é conhecido por uma escrita com temas próximos da morte e de situações macabras.

No início da apresentação, Carla Maciel fez uma pequena explicação da obra de Edgar Allan Poe tendo referido que sua morte continua a ser um enigma, tal como muitos dos seus contos, razão pela qual ela se propôs criar uma peça de teatro sobre este assunto. Os contos apresentados foram apresentados por Leonor Buescu, Marta Felix, Miguel Amorim e Sara Machado.

O primeiro conto lido aos presentes pelos atores foi ‘A Máscara da Morte Rubra’, um conto gótico, publicado em 1842, que narra a tentativa fútil do Príncipe Próspero de escapar de uma praga mortal (a Morte Rubra) isolando-se com nobres em sua abadia, mas a Morte, sob a forma de um mascarado, invade o baile e mata a todos, simbolizando a inevitabilidade do fim, mesmo para os ricos e poderosos. O segundo conto escolhido foi “O Coração Delator’, que é narrado em primeira pessoa por uma personagem anónima que tenta provar que não é louco. Obcecado pelo “olho de abutre” de um velho com quem vive, o narrador passa noites espionando-o até decidir matá-lo. Após cometer o assassinato de forma planejada e fria, ele esquarteja o corpo e o esconde sob o soalho da casa. O conto explora temas como a culpa, a loucura, a obsessão e a fragilidade da mente humana, mostrando como a consciência do narrador o leva à própria ruína.

Edgar Allan Poe, foi um escritor norte americano que nasceu em Boston em 1809 e faleceu em Baltimore em 1849. Uma juventude intranquila encontra explicação no meio familiar tenso dos Allan, que o acolhem por morte dos pais, o educam, mas nunca chegam a adotar, bem como uma hereditariedade pouco favorável. As primeiras publicações de poemas são custeadas pelo autor e amigos, e Edar Poe vive com dificuldades passando despercebido até ao início dos anos 30; segue-se uma brilhante carreira literária, critica e admirável em várias revisões entre as quais a ‘Southern Leterary Messenger’, de Richmond. Apesar das suas qualidades evidentes, uma profunda instabilidade de temperamento e grave suscetibilidade ao álcool originavam permanentes conflitos impeditivos de uma carreira profissional regular. Em 1844 desloca-se para Nova York onde atinge o apogeu da sua fama literária, muito embora a tensão causada  pela morte próxima da sua mulher (1846) tenha deteriorado o seu autodomínio com prejuízo para a sua reputação e fazendo crescer inimizades. Morreu em circunstâncias pouco claras.

Carla Maciel é atriz desde 1994, tendo trabalhado em teatro com Miguel Seabra, Gonçalo Amorim, Nuno Pinho Custódio, Solveig Nordlung, Marco Martins, Sofia Dias, Vítor Roriz, Beatriz Batarda e mais recentemente com Tiago Rodrigues em Madame Bovary e Gonçalo Waddington em Albertine, baseado na obra Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. Integrou também vários projetos de televisão para a RTP, a SIC e a TVI, como por exemplo, Fala-me de Amor, Odisseia, Os Nossos Dias, Laços de Sangue ou Mulheres de Abril. Em cinema, colaborou com cineastas como Tiago Guedes e Marco Martins, e recentemente em As Mil e Uma Noites - Volume 2, O Desolado de Miguel Gomes e Capitão Falcão de João Leitão.

 

Poesia à mesa

 


Na sequência do evento sobre Allan Poe, a Associação Lar Doce Ler convidou o público presente para um jantar cujo tema foi a poesia, acompanhado pela voz única da cantora Mara.

Ao longo da refeição, diversos intervenientes declamaram poemas de vários autores com destaque Fernando Pessoa e Ana Luísa Amaral, para além das referências à poesia japonesa.

Com a sua voz forte, que se impõe a quem a ouve, Mara trouxe a Cabrela várias modas alentejanas que interpretou com classe, principalmente o tema que escolheu para abrir o momento musical, ‘Solidão, ai dão, ai dão’. Durante cerca de uma hora, Mara, acompanhada por Cristina Clara em alguns temas e pelo público presente, proporcionaram um serão de qualidade que certamente não será esquecido por quem o presenciou.

 

 

A.M. Santos Nabo

Fotos: Casa das Letras

 

 

 
 
 

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